Cientistas acham pista da origem de câncer de mama

Uma pergunta que eternamente atormenta oncologistas e pesquisadores que investigam o câncer é como uma célula normal pode de repente começar a se multiplicar errado e dar origem a um tumor. Uma pesquisa publicada nesta quinta-feira trouxe uma nova pista nesse sentido. Cientistas nos Estados Unidos e no Canadá descobriram que uma classe de células precursoras da mama tem as extremidades dos cromossomos - estrutura que armazena o DNA - muito curtas. Essa ponta, conhecida como telômero, é responsável, a grosso modo, por proteger o DNA. Se ele for muito curto, deixa a célula mais propensa a sofrer mutações, o que eventualmente pode levar ao desenvolvimento do câncer.

David Gilley, da Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana, nos EUA, e Connie Eaves, do Laboratório Terry Fox da Agência para o Câncer em Vancouver, investigaram em mulheres saudáveis como os telômeros são regulados nesse subtipo de células de mama, chamadas de luminais. Os pesquisadores observaram que essas células surgem em um processo normal de desenvolvimento dos tecidos, mas acabam sendo mais predispostas a ter as mutações que levam ao câncer.

Avanço

O trabalho, publicado na recém-lançada revista "Stem Cell Reports", sugere que essa descoberta pode trazer um novo indicador para identificar mulheres com alto risco de desenvolver câncer de mama. “Essas células que descobrimos possuir tais características vêm agora à tona como um possível palco onde o câncer pode decolar”, disse Eaves, em comunicado.

A conclusão chegou a ser noticiada nesta quinta-feira por agências de notícias como a “descoberta da origem do câncer de mama”, o que foi minimizado por outros pesquisadores. “É uma descoberta interessante por ajudar a entender um pouco por que o câncer acontece antes de a doença de fato ocorrer. Apesar de o câncer ter diagnóstico precoce, é frustrante só descobrir quando ele já está estabelecido, mas falar em origem é meio demais”, afirma Emmanuel Dias-Neto, diretor de genômica médica do A.C. Camargo Cancer Center.

Segundo ele, o estudo é limitado por tratar de apenas um subtipo de células da mama. Além disso, essa característica do telômero mais curto ocorre nessa classe de células em todas as mulheres. “Mas não são todas que vão desenvolver câncer. Então parece que o telômero curto é necessário para o câncer acontecer, mas não é o suficiente”, diz o pesquisador.

Para Ricardo Caponero, presidente do Conselho Técnico Científico da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), ainda não dá para esperar uma aplicação prática da pesquisa. “Ela traz um fator a mais, mas o câncer é multifatorial. Não dá para falar em uma única causa”, afirma. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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